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Etimologia

Conceito

Os Gregos

Os Romanos

Oratória Sacra Grega

Oratória

Etimologia

O substantivo esp. oratória, port. oratória, é empréstimo erudito do lat. oratoria, subentendido ars, “arte oratória”, do verbo orãre, “falar, fazer discurso, rogar, solicitar”, documentado naquelas línguas pelo fim do séc. XV, inícios do séc. XVI. O adjetivo esp. oratorio, port. oratório, é do início do séc. XVII. De cronologia assemelhável é o esp. elocuencia, port. eloqüência, e o adjetivo correlato elocuente, eloqüente, do lat. eloquentia e eloquens, “facilidade de expressão, talento de orador, eloqüência” e “que tem facilidade de falar, eloqüente”, respectivamente, derivados do verbo loqui, “falar”. O fr. éloquence é do séc. XII e éloquent do séc. XIII. O ing. eloquence é de 1382 e oratory, em Shakespeare, é de 1593.

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Conceito

Os teóricos mais antigos da arte oratória, Aristóteles e Quintiliano, distinguem três espécies de discursos: os políticos, os forenses e os demonstrativos (estes últimos podem ser de natureza elogiosa, panegíricos, ou, às vezes, de natureza acusatória). A antigüidade cristã acrescentou a eloqüência sacra. Em tempos modernos também se fala, mais raramente, de eloqüência universitária ou de cátedra, de eloqüência castrense ou militar. Trata-se, em todos esses casos, da arte de redigir e pronunciar discursos para convencer ou emocionar ou, eventualmente, intimidar os ouvintes.
Na arte da oratória convergem, para produzir o efeito desejado, o momento, uma grande oportunidade e um homem, uma personalidade à altura do momento. As obras da oratória são, portanto, pelo menos as mais das vezes, ligadas a determinados fatos que, para nós, já pertencem ao passado histórico. Por outro lado, não é possível apreciar, conforme os textos transmitidos, a atuação e a dicção do orador, em que há necessariamente algo de ator, de teatral, de encenado. Os discursos dos grandes oradores do passado, tenham sido estadistas, advogados ou sermonistas, só dão impressão pálida da realidade do discurso pronunciado. Por isso, a crítica literária moderna não costuma ocupar-se com esses textos.

É, porém, preciso observar que a arte da prosa nasceu diretamente da eloqüência. A retórica dos gregos antigos ocupava-se igualmente com a eloqüência falada e com a eloqüência escrita. Para os gregos antigos, a oratória fazia parte da literatura. Mais do que isso: foi, para eles, talvez a parte mais importante da literatura, porque produzia efeitos práticos (de convencer uma assembléia ou um tribunal) e porque a mentalidade grega era essencialmente dialética, procurando, mediante a análise verbal de opiniões opostas, chegar à verdade.
É esse o motivo por que os antigos apreciavam tanto os sofistas, isto é, oradores capazes de defender, com a mesma força de aparente convicção, dois pontos de vista diametralmente opostos. Observa-se esse método no grande historiador Tucídides, que, antes de narrar a tomada de uma decisão política, coloca na boca dos estadistas em conflito dois discursos antagônicos, para esclarecer, desse modo, a situação em causa. Não sabemos se Tucídides se aproveitava, para tanto, de discursos existentes ou se os inventava; em todo caso, a oração fúnebre de Péricles sobre os atenienses mortos na guerra, 430 a.C. (livro II, cap. 35-46 da obra de Tucídides), talvez seja o mais famoso e mais emocionante de todos os discursos.

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Os Gregos

A eloqüência grega nasceu na Sicília. Mas chegou ao ponto mais alto em Atenas, cuja democracia direta exigia do estadista qualidades de orador para conseguir a aprovação dos seus atos pelas assembléias populares. Em tempos posteriores, os letrados de Alexandria estabeleceram um cânone dos mais famosos oradores atenienses, misturando nomes de estadistas eminentes, grandes escritores e simples logógraphoi (escribas), homens que redigiram discursos para outros, menos cultos ou menos hábeis. Nosso conhecimento desses oradores atenienses é muito desigual: de alguns conhecemos a biografia inteira e possuímos quase todos os discursos; outros são meros nomes, e só subsistem fragmentos insignificantes de suas obras.
O primeiro grande nome é o de Lísias (c. 440 – c. 380 a.C.), que escrevia (e falava) com a maior simplicidade e sobriedade, adaptando-se à capacidade de compreensão de seus ouvintes, mas sem sacrificar a dignidade do raciocínio e usando sempre a mais pura linguagem ática; foi um clássico. Seu discurso de acusação contra Eratóstenes (402 a.C.) é um modelo. Os gregos apreciavam igualmente Iseu (c. 420-c. 350 a.C.), que foi, porém, logógrafo; seus discursos são jurídicos e tratam, todos eles, da validade de testamentos, assunto que pouco entusiasma a posteridade. Logógrafo também foi, em seus discursos forenses, Isócrates (c. 436-338 a.C.). Mas são de alta eloqüência seus discursos políticos: Panathenaikós (342 a.C.), isto é, “discurso panatenaico”, relativo às festividades panatenéias, e Areopagitikós, isto é, “discurso no areópago” (355 a.C.), que exerceram enorme influência na posteridade, inclusive sobre Cícero e sobre a eloqüência barroca.
Só se fala ainda hoje em Dinarco e Esquines como adversários de Demóstenes, que foi o maior de todos os oradores gregos. Seus três discursos contra Filipe da Macedônia (351, 344 e 341 a.C.), os três discursos olínticos (sobre a questão de Olintos, 349-348 a.C.) e, sobretudo, o famoso Perì tou stéphanou (330 a.C.; Sobre a coroa), são modelos de apaixonada eloqüência política e obras-primas de prosa grega. Depois desse grande orador, ficam em segundo plano Licurgo e Hiperidas (389-322), este último sobretudo conhecido por uma anedota: defendendo a cortesã Frinéia, teria desnudado os seios dela pra impressionar os juízes, recurso que não consta dos manuais da retórica.

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Os Romanos

Conhecemos, no fundo, só um orador romano, mas que foi, parece, o maior: Cícero. Estadista ora corajoso, ora vacilante, prosador do maior brilho, mas às vezes de brilho falso, encarnou o tipo do grande orador para todos os tempos. Até os leigos no assunto sabem dos seus discursos contra o corrupto procônsul Verres (70 a.C.), as Verrinas, e sobretudo dos quatro discursos de acusação contra o conspirador Catilina (8 e 9 de novembro e 2 e 5 de dezembro de 63 a.C.), as Catilinárias. Os conhecedores da prosa latina colocam, porém, acima desses discursos políticos, os discursos forenses de Cícero, sobretudo Pro Murena (63 a.C.), e Pro Archia poeta (62 a.C.).
Cícero também escreveu trabalhos sobre a eloqüência (Brutus, Orator) para defender-se contra as censuras de Caio Licínio Calvo (82-47 a.C.), que preferiu a seu verbo espetacular a simplicidade dos oradores gregos, em querela de que ficou fragmentária documentação, pela qual se depreende que Calvo defendia o “estilo atiço” contra o “estilo asiático” – florido, pomposo, emocional – de Cícero. Defendendo-se, Cícero inventou (ou exagerou) a arte e a importância dos oradores romanos antigos, que teriam sido seus modelos. A posteridade fisicamente deu-lhe razão, pois dos discursos de Calvo só existem poucos fragmentos.

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Oratória Sacra Grega

Discípulos, em sentido remoto, de Cícero também foram os padres da Igreja latina: Ambrósio e Agostinho, sobretudo. Mas suas homilias não podem ser comparadas às dos Padres da Igreja de Bizâncio, que tinham sido alunos das escolas de retórica de Atenas. Basílio de Cesaréia (330-379) é o orador mais elegante entre eles, superior a Gregório Nazianzeno e Gregório de Nissa. Mas o maior é João Crisóstomo (344-407), depois santo, que estudiosos da oratória sacra consideram, talvez, com razão, o maior sermonista cristão. Suas 21 homílias pronunciadas perante o povo de Antioquia, as seis sobre Isaías, as noventa sobre o Evangelho segundo são Mateus, as 88 sobre o Evangelho segundo são João, as 55 sobre os Atos dos Apóstolos seriam, todas elas, obras-primas. Reconhece-se-lhe a nobre indignação e a força de um Demóstenes no seu sermão sobre a queda do ministro Eutrópio (398).

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